Todos Podemos

Nem todos revelamos grandezas, mas todos podemos cultivar humildade.
Nem todos demonstramos conhecimentos superiores, mas todos podemos estudar.
Nem  todos  conseguimos  sustentar,  economicamente,  as  boas  obras,  mas  todos  podemos
efetuar essa ou aquela prestação de serviço.
Nem todos guardamos a competência ou o dom de curar, mas todos podemos, de um modo
ou de outro, auxiliar aos nossos irmãos enfermos.
Nem todos estamos habilitados para mandar, mas todos podemos servir.
Nem todos somos heróis, mas todos podemos ser sinceros, justos e bons.
Nem todos nos achamos em condições de realizar muito no socorro aos que sofrem, mas
todos podemos oferecer algo de nós, em favor deles.
Não alegueis indigências, pequenez, fraqueza, incapacidade ou ignorância para desertar do trabalho a que somos chamados. Comecemos, desde agora, a edificação do Reino de Deus, em nós e em torno de nós, através do serviço que já possamos fazer.

[Albino Teixeira]

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Problemas do mundo

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O mundo está repleto de ouro.
Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.
Mas o ouro não resolve o problema da miséria.

O mundo está repleto de espaço.
Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos.
Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.

O mundo está repleto de cultura.
Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião.
Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.

O mundo está repleto de teorias.
Teorias na ciência. Teorias nas escolas filosóficas. Teorias nas religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.

O mundo está repleto de organizações.
Organizações administrativas. Organizações econômicas. Organizações sociais.
Mas as organizações não resolvem o problema do crime.

Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o monstro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.
Sejamos, assim, valorosos, estendendo a Doutrina Espírita que o desentranha da letra, na construção da Humanidade Nova, irradiando a influência e a inspiração do Divino Mestre, pela emoção e pela ideia, pela diretriz e pela conduta, pela palavra e pelo exemplo e, parafraseando o conceito inolvidável de Allan Kardec, em torno da caridade, proclamemos aos problemas do mundo: “Fora do Cristo não há solução.”

[Bezerra de Menezes. Livro: O Espírito da Verdade]

Carências

CEU

Vives num mundo no qual a carência é constante, gerando desequilíbrio e promovendo violência.

Há carência afetiva, porque aqueles que desejam ser amados não se resolvem por amar com sentimento fraternal.

Permanece a carência de emprego, porque escasseia o número dos que desejam trabalhar com dignidade recebendo um salário justo.

Predomina a carência de saúde, em razão dos exageros alimentares, dos vícios e da rebeldia mental.

Espalha-se a carência econômica como consequência da falta de solidariedade de todos, no relacionamento de uns para com os outros.

Aumenta a carência de segurança graças ao desrespeito à liberdade do próximo, como efeito da libertinagem que se generaliza.

Avoluma-se a carência de alimentos em várias áreas, enquanto noutras o desperdício assustador.

Quase todas as pessoas se apresentam em carência, afirmando nada receberem, sem embargo, possuindo inúmeros recursos que são escassos noutras, mas que se recusam oferecer-lhes.

O problema da carência é resultado do desamor ao próximo, à vida, ao dever.

A ociosidade de uns provoca a carência de outros.

O egoísmo de alguns responde pela carência de muitos.

A ambição de diversos gera a carência de multidões.

Faz-se necessário igualmente, considerar-se que a Terra ainda não é o paraíso, onde a abastança, a plenitude e a paz estabeleçam um oásis de encantamento.

Escola de aprimoramento das almas, propõe um currículo rigoroso para aprendizagem valiosa.

Ninguém, todavia, lhe desrespeita impunemente os códigos para a própria formação moral e evolutiva.

Justo, portanto, que o estágio nos seus cursos se faça mediante esforço e obediência rigorosos.

Cada dia possui vinte e quatro horas, na sucessão dos anos…

Reserva qualquer espaço de tempo para diminuíres a carência vigente.

Não alegues cansaço, nem te apresentes desanimado.

O que tens, escasseia noutras pessoas.

Conforme gostarias de receber um pouco daquilo que eles possuem em quantidade, começa por seres tu, aquele que oferece primeiro.

Aprende a dar, a fim de que outras criaturas comecem a permutar.

A experiência da bondade gera o hábito da solidariedade, que desenvolve os sentimentos nobres dormindo latentes em todos os indivíduos.

Observa a sabedoria da natureza, que reflete a misericórdia do Pai e, desse modo, inspira, fala e atua ao lado de outros contra a carência, inaugurando o período da fartura que só o amor sabe proporcionar.

[Joanna de Ângelis]

Gente com defeito?

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Essa ideia de pessoas com defeitos tem alguns defeitos. Um deles está em considerar que Deus criou coisas defeituosas ou que podem apresentar defeito. Outro defeito é tratar-se, com nosso estrabismo ou miopia habitual, de um incentivo a enxergarmos e apontarmos defeitos nos outros. Em geral, nosso ego adere a esse tipo de atitude muito facilmente, bem como a tudo o que o engrandeça e destaque.

Mas vamos, apenas e exclusivamente neste texto, chamar de defeitos aquilo que nos incomoda ou desagrada em outras pessoas, razão pela qual os desaprovamos. Isso é bem genérico. E não é difícil… Vamos lá! Nesse sentido, podemos dizer que todo mundo tem “defeitos”.

Olhando bem, logo notamos que alguns “defeitos” e “pessoas” são mais difíceis pra nós, pois nos incomodam mais. No entanto, também notamos que está cheio de gente com defeitos que não nos afetam! A questão, portanto, não é o defeito do outro, mas, sim, como e por que aquilo nos afeta.

Comecei a pensar sobre isso. Fui procurar me entender, a partir dessas minhas reações, tentar me conhecer melhor. Afinal, sou espírita, logo, acredito em evoluir pra me tornar um ser melhor. Tanto eu, quanto os outros. E acredito no autoconhecimento como um caminho importante na evolução.

Notei que certos “defeitos” me afetavam quando surgiam em pessoas próximas a mim, em relação às quais nutria certas expectativas. Tais expectativas costumam ter fundamento? Em alguns casos. Se certa mãe que devia cuidar do filho pequeno não consegue suprir as necessidades dele, poderíamos dizer que o incômodo tem uma base, desde que há uma expectativa legítima de que mães acalentem e cuidem de seus filhos. Mas é preciso considerar que não existe apenas isso, pois há também a condição material, mental e emocional da mãe, de atender a essas necessidades ou não, e pode haver um motivo específico que explique seu comportamento. Seres humanos têm desafios complexos e se complicam emocionalmente, iludem-se com prioridades fictícias, adoecem, perdem empregos…

Pensando assim, também passei a focar nas virtudes e qualidades que antes estavam ocultas na pessoa, sob aquele pretenso “defeito” que até então me incomodava tanto. E vi que lá estava aquela criatura, exercitando essas qualidades e se desenvolvendo, segundo sua possibilidade e compreensão da vida.

Assim, comecei a ter um olhar mais positivo, que os budistas talvez chamassem de “compassivo”. Isso não implica fechar os olhos, mas olhar de outra maneira. Isso também não faz nossa dificuldade passar e tudo ficar instantaneamente maravilhoso. Mas melhora bem a possibilidade de compreensão e convivência.

Não vou dizer aqui que costumamos enxergar nos outros aquilo que não conseguimos ver em nós mesmos, porque é um fato que já comprovei e uma abordagem já muito batida. Mas até nesse sentido, enxergar no outro o que precisamos descobrir em nós é uma sabedoria das Leis Divinas e uma providência educativa.

A inteligência emocional, a percepção de como estamos nos sentindo, é algo muito valioso, para lidar com tais questões de maneira mais sensata possível. Como observa Eckhart Tolle em “O Poder do Silêncio” (Ed. Sextante): “Reclamar e reagir são as formas preferidas da mente para fortalecer o ego. O eu autocentrado precisa do conflito para fortalecer sua identidade. Ao lutar contra algo ou alguém, ele demonstra pra si mesmo que ‘isto sou eu’ e ‘aquilo não sou eu’. É comum que países procurem fortalecer sua sensação de identidade coletiva colocando-se em oposição aos seus inimigos.” Pode ser, então, que atribuir defeitos seja mais um modo de nos afirmarmos – e simplesmente isto! Os defeitos, então, estão na nossa visão egocentrada e não na pessoa, considerada como essencialmente uma criatura divina em vias de progresso espiritual, seguindo sua trajetória e fazendo uso de seu livre-arbítrio.

Além do mais, o conceito de “defeito” que adotamos para este texto, pode perfeitamente aplicar-se a nós mesmos. Nossas atitudes, hábitos e idiossincrasias podem andar desagradando pessoas por aí. Algumas ou muitas. Então, é melhor evitar radicalismos e expandir a compreensão. Reclamações, ações extremadas às vezes são infelizes, tanto em si mesmas quando nos resultados que ocasionam. Diz Emmanuel em “Seara dos Médiuns” (FEB), “olvidemos os defeitos do próximo, na certeza de que todos nos encontramos sob o malho das horas, na bigorna da experiência.”

Rita Foelker

[Fonte: Extraido do site da Feal]

Decisão e vontade

Incerteza parece coisa de pouca monta, mas é assunto de importância fundamental no caminho de cada um.

As criaturas entram na instabilidade moral, habituam-se a ela, e passam ao domínio das forças negativas sem perceber.

Dizem-se confiantes pela manhã e acabam indecisas à noite.

Freqüentemente rogam em prece:

– Senhor! Eis-me diante de tua vontade!…

Mostra-me o que devo fazer!…

E quando o Senhor lhes revela, através das circunstâncias, o quadro de serviço a expressar-se, conforme as necessidades a que se ajustam, exclamam em desconsolo:

– Quem sou eu para realizar semelhante tarefa?

Não tenho forças.

Ai de mim que sou inútil!…

Sabem que é preciso servir para se renovarem, mas paradoxalmente esperam renovar-se sem servir.

Dispõem de verbo fácil e muitas vezes se proclamam inabilitadas para falar auxiliando a alguém nas construções do Espírito.

Possuem dedos ágeis, quais filtros inteligentes engastados nas mãos; entretanto, costumam asseverar-se inseguras na execução das boas obras.

Ouvem preleções edificantes ou mergulham-se na assimilação de livros nobres, prometendo heroísmo para o dia seguinte, mas, passada a emoção, volvem à estaca zero, à maneira de viajante que desiste de avançar nos primeiros passos de qualquer jornada.

Louvam na rua o equilíbrio e a serenidade e, às vezes, dentro de casa, disputam campeonatos de irritação.

O dever jaz à frente, a oportunidade de elevação surge brilhando, os recursos enfileiram-se para o êxito e realizações chamam urgentes, mas preferem a fuga da obrigação sob o pretexto de que é preciso cautela para evitar o mal, quando o bem francamente lhes bate à porta.

Trabalho, ação, aprendizado, melhoria!…

Não te ponhas à espera deles sob a imaginária incapacidade de procurá-los, à vista de imperfeições e defeitos que te marcaram ontem.

Realização pede apoio da fé.

Mãos à obra.

Tudo o que serve para corrigir, elevar, educar e construir, nasce primeiramente no esforço da vontade unida à decisão.

[Francisco Cândido Xavier, Emmanuel. Livro: Rumo Certo]

Carnaval, carnaval…

SOBRE O CARNAVAL

“Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências, nas festas carnavalescas.
“É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização.
“Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.
“Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.
“Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.
Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho.
“Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem? Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretenciosas opiniões, colaborando conosco, dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.

“É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloqüente atestado de sua miséria moral”.

Emmanuel (espírito)

Psicografado por Francisco Cândido Xavier em Julho de 1939

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Estás triste?

Cada ângulo sombrio que se desenhe na faixa da tua vida, sem qualquer impedimento, será desafio à tua capacidade de produzir claridade ao teu redor.

Cada lágrima de dor que se derrame dos teus olhos, traz o apelo para que te superes, e valendo-te da resignação, e aproveitando as experiências dos padecimentos, possas criar o brilho do sorriso onde estejas.

Cada indivíduo que se te mostra antipático pelos caminhos por onde transitas, representa permanente repto a tua força interna capaz de promover amizades, onde os espinhos da malquerença se instalaram, perigosos.

Cada frustração que te depara pela vida na Terra, traz em si incontestáveis recursos para que sintas que estás, como todas as pessoas, sob o crivo das leis da vida, não obstante gozes do livre-arbítrio relativo ao teu nível evolutivo.

Em cada momento das tuas experiências pelo planeta abençoado sobre o qual nos movemos, seja momento de júbilo ou de amargura, seja instante de luz ou de sombra, aprende a fazer o melhor sempre com as oportunidades que te foram concedidas pelo Criador.

Se estás triste, seja qual for o motivo, abre ainda hoje as portas de tua alma, permitindo que os favônios celestes refresquem-te o íntimo, na árdua canícula, ou deixando que o fogo da nobre disposição, que vem da inabalável fé, desfaça os gelos que te entorpeceram o mundo interior.

Não te entregues, pois, à tristeza, para que ela não teça teias de amarguras e desolações de difícil erradicação depois de vitalizadas.

Se estás triste, abre os ouvidos para as melodias da vida, melodias que soam das mais profundas regiões do amor celeste.

Se te vês triste, busca ajuda, pede socorro, não dando campo a essas energias, de modo que possas, na condição de filho de Deus, alegrar-te com tudo quanto o Pai Comum construiu e colocou a tua disposição a fim de que pudesses crescer, amar e servir.

Assim, troca por canto de festa a mórbida presença da tristeza teimosa que te faz abatido e bloqueado para as claridades da existência.

[do livro Revelações da Luz – Raul Teixeira pelo Espírito Camilo]